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A proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre uma ampla lista de produtos brasileiros acendeu um alerta para a indústria nacional e para setores relevantes da economia goiana. A avaliação consta em Nota Técnica elaborada pela Gerência de Internacionalização (Geint) da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), que analisa os possíveis impactos da medida sobre as exportações do Estado e reforça a necessidade de diálogo entre os dois países para evitar prejuízos às cadeias produtivas.
Anunciada pelo escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) em 1º de junho, a proposta decorre de investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana. A medida ainda não foi implementada e permanece em fase de consulta pública, podendo sofrer alterações antes de uma decisão definitiva.
O posicionamento da Fieg está alinhado à manifestação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que considera a proposta preocupante por seu potencial de comprometer a competitividade das exportações brasileiras, afetar cadeias produtivas integradas entre Brasil e Estados Unidos e gerar reflexos sobre investimentos, produção e empregos. Tanto a CNI quanto a Fieg defendem a ampliação das negociações diplomáticas e a construção de soluções que preservem a relação comercial entre os dois países.
Goiás entre os estados mais expostos
O mercado norte-americano ocupa posição de destaque no comércio exterior goiano. Os Estados Unidos figuram entre os principais destinos das exportações do Estado e também entre os maiores fornecedores de produtos importados por Goiás. Além disso, Goiás se mantém entre os estados brasileiros com presença relevante no mercado norte-americano, especialmente por meio de produtos do agronegócio e da indústria de transformação.
Entre os principais itens exportados por Goiás para os Estados Unidos estão carnes, açúcar, milho, soja, ferroligas e outros produtos industriais e agroindustriais. Segundo a Nota Técnica, muitos desses produtos disputam espaço diretamente com fornecedores de outros países, o que significa que uma elevação tarifária de 25% pode tornar os produtos brasileiros menos competitivos para os compradores norte-americanos.
Os segmentos mais suscetíveis aos efeitos da medida incluem a indústria de alimentos e bebidas, a metalurgia, o setor de couros e derivados e empresas ligadas à agroindústria com forte dependência das vendas para os Estados Unidos. A perda de competitividade pode resultar em redução dos volumes exportados, pressão sobre margens de lucro, adiamento de investimentos e impactos indiretos sobre emprego e renda nas cadeias produtivas relacionadas ao comércio exterior.
Para a gerente de Internacionalização da Fieg, Juliana Tormin, embora a proposta ainda esteja em discussão, o momento exige atenção das empresas exportadoras. “Os Estados Unidos são um mercado importante para diversos setores produtivos de Goiás. Uma eventual elevação tarifária tende a aumentar o custo de entrada dos produtos brasileiros naquele mercado, favorecendo concorrentes internacionais. Por isso, é fundamental acompanhar a evolução das negociações e fortalecer ações de diversificação de mercados para reduzir riscos e ampliar oportunidades comerciais”, avalia.
Diversificação de mercados ganha importância
A análise da Fieg destaca que ainda existem fatores que podem reduzir os impactos da proposta. Entre eles estão a possibilidade de mudanças na lista final de produtos atingidos e a eventual manutenção de tratamentos diferenciados para itens considerados relevantes para o abastecimento e para a indústria norte-americana.
Mesmo assim, a recomendação é que empresas goianas com operações nos Estados Unidos revisem estratégias comerciais, realizem avaliações de risco e busquem ampliar sua presença em outros mercados. A diversificação dos destinos das exportações aparece como uma das alternativas para reduzir a dependência de um único parceiro comercial e preservar a competitividade das empresas diante de mudanças regulatórias no comércio internacional.
A Nota Técnica conclui que, embora a tarifa adicional ainda não tenha sido confirmada, sua eventual adoção representa um fator de preocupação para a indústria brasileira e para setores importantes da economia goiana. Diante desse cenário, a ampliação da inteligência comercial, das ações de promoção de exportações e do acompanhamento das negociações entre os dois países passa a ter papel ainda mais relevante para minimizar impactos e preservar o desempenho das exportações goianas.
Confira a nota na íntegra pelo link: https://www.fieg.com.br/portais/files/ed128f9e-9a47-4e3d-9eab-17827b13cdd9.pdf?contentDisposition=inline










