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A tragédia que vitimou 62 pessoas em Vinhedo, no interior de São Paulo, em 2024, segue com investigações aprofundadas. Peritos concluíram que condições meteorológicas severas, como frente fria, alta umidade e intensa formação de gelo, foram determinantes para o acidente.
A aeronave, que realizava o voo PTB-2283 de Cascavel (PR) para o Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), enfrentou o clima hostil mesmo com o avião equipado com um sistema antigelo. Contudo, a perícia revelou falhas neste equipamento não apenas no dia da queda, mas em três voos anteriores. Além disso, diferentes tripulações deixaram de cumprir uma orientação técnica crucial: a reinicialização do sistema de degelo. A Polícia Federal ressalta que a indisponibilidade deste sistema deveria impedir a operação do avião nas condições climáticas registradas, embora ponderem que não é possível afirmar com certeza se o seu funcionamento adequado evitaria o sinistro.
A atuação da tripulação durante o voo também é ponto central da investigação. De acordo com os peritos, os pilotos não executaram corretamente os procedimentos para lidar com o acúmulo de gelo, mesmo com os alertas emitidos pela aeronave. O documento aponta que ambos possuíam a habilitação necessária, mas a razão da falha na execução dos procedimentos permanece incerta. O relatório da PF descreve que os pilotos mantiveram o foco em tarefas da cabine, comunicação com o despacho e preparação para o pouso, tornando-se alheios aos alertas de gelo.
“A causa do sinistro foi a perda de controle em voo, decorrente do acúmulo de gelo na aeronave, da inoperância do sistema pneumático de degelo da estrutura e da não execução tempestiva e adequada dos procedimentos”
Em coletiva de imprensa realizada em 6 de agosto, o delegado André Ribeiro, chefe da Delegacia da Polícia Federal em Campinas, revelou uma falha estrutural na cultura interna da Voepass. Segundo ele, havia uma “cultura organizacional de não reporte”, caracterizada pela ausência de registros de problemas operacionais. “Havia ali uma cultura realmente de omissão, uma cultura implementada na empresa, que ia em todas as cadeias”, declarou Ribeiro.
O diretor do Instituto Nacional de Criminalística da PF, Carlos Eduardo Palhares, explicou que a investigação seguiu uma tripla abordagem: identificação das vítimas, documentação do local e análise do sinistro aeronáutico. Adicionalmente às falhas no sistema de degelo, a PF identificou uma irregularidade no despacho da aeronave. O voo foi autorizado mesmo com os limpadores de para-brisa inoperantes, uma condição incompatível com a Lista de Equipamentos Mínimos (MEL), especialmente com previsão de chuva no aeroporto de destino. Este fator, contudo, não é apontado como causa direta da queda.
O voo PTB-2283 decolou às 11h58 de Cascavel. Pouco antes de iniciar a descida, a aeronave perdeu altitude abruptamente e caiu sobre o condomínio Residencial Recanto Florido, em Vinhedo. O comandante Danilo Romano, de 35 anos, o copiloto Humberto de Campos Alencar e Silva, de 61, e as comissárias Debora Soper Avila, de 28, e Rubia Silva de Lima, de 41, perderam a vida, juntamente com os 58 passageiros. Infelizmente, não houve vítimas entre os moradores do condomínio atingido.









